Como a magia das horas, me descortino em momentos atávicos, momentos lúcidos, momentos calmos e chãos.
É só o medo, que um explosivo acaso acabe com tudo. Um medo é só um medo, tão relevante que é maciço, um medo-peso. Pairando no ar e me envolvendo, um medo-ar. Quero o silêncio, quero o descanso. O mundo me exige demais e eu fujo. Medo, saudade. Saudade de algo. No fim, quero a liberdade de existir sem sobrecarga. De ser sem máscaras e sem medo. A tinta da existência espalhada nas paredes. A calma, a falta de tudo. Preciso do turbilhão do mundo no silêncio de uma escuta. Quero a escuta sem traumas, o fio que tece o inexorável. O afável. Quero a suavidade de uma bolha de ar flutuando, as nuvens como envoltório primordial. Quero a origem, o mito e a resolução natural. O mundo, o que ele me traz. A linha que me faz organizar algo chamado alma. O perigo suave, a suavidade pura. Quero o apego sem desespero, a justiça de um abraço bem dado. Quero o tempo aberto à sua dissolução, quero a absolvição dos sonhos. A fuga, a inteireza do fardo, a prece. O silêncio, enfim.
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