sábado, 16 de maio de 2026

Escola

Um sonho-desejo
A recordação de algo
O lar, a reverência
Morar e não se sentir dono

Novos habitantes, não conhecem a história por trás deste lugar
Ainda assim os compreendo
Sou a guardiã da memória
E no sonho escrevo
Pra saber, acordada, que meu sonho era voltar àquele lugar e ali morar

Seus corredores, túneis, passagens secretas e cheias de histórias
A sensação mastigável de que ali passei muitas horas

Memórias

A sala secreta aonde só eu tenho medo de entrar
Um tesouro à vista, relíquias triviais passado-futuristas
Uma vitrola que soa papéis
Um catálogo de registros antigos
O choque com objetos novos-velhos: plástico, cores, brinquedos

O passado dá a impressão de ter sido sépia, vermelho fosco, cinza, desgaste
O novo-velho que também vai perdendo a cor
A minha condescendência soberba, um mestre que sou
Já estive aqui há muitos anos
Este ático já foi muito diferente, até no formato
Aqui cantei, soltei a voz
Fui livre e fui eu mesma
Amei e fui admirada
Mas aqui não moro nem nunca morei
Estas lembranças não existem
Esta pessoa nunca existiu
Quem a criou fui eu, com toda minha arte

Logo, o lugar estará cheio
Jovens, dançando e existindo, questionando tudo
Eu só queria dar a volta
E reverenciar.

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