Contemplar o descontrole. Para simplesmente me lançar ao abismo desconhecido do que sou. A vida tem me pedido calma, e a cada dia entendo que isso significa mais e mais estar fora do controle. Longe do apego que ofusca a visão nítida do que espero ser. O apego faz me agarrar às coisas pesadas, aos dramas pequenos, às invenções do espírito.
Invencionices da mente, maquinarias fantasiosas regadas a expectativas irreais. Ninguém pode me salvar, nem eu mesma. Quanto mais vivo, mais percebo que não sou exatamente deste mundo, mas sim humana ao nível extremo. Não sou do mundo das ideias. Sou feita da terra e do espaço. Meu silêncio é a poesia das estrelas. Estou pendurada à existência por um fio que contém tudo, todas as possibilidades do ser e do não ser. O engano, a mentira e a inocência são pontas de uma mesma lança, meu vazio maior é não caber neste corpo. Sou feita de pó. E tudo já foi dito. Me confundo, assim lembro que sinto como grandezas desproporcionais. O meu tempo é. Não passa, porque sigo aqui.
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