segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Espelhos II

Antes de mergulhar pergunto: onde posso estar se não aqui?
Preciso desocupar os buracos da alma, acabar com os vãos preenchidos de muita coisa nenhuma
Se estou sólida é porque respiro
Me encaixo onde não existo mas penso - serei culpada por mais uma queda anunciada? 

Lidar com a angústia nunca foi fácil 
Nunca será óbvio saber onde pisar nessa trilha escura e densa
E isso pode ser perfeito
Afinal, ainda sou uma experiência - em curso, imagino que posso tramar algo contra meus pequenos dramas, uma invenção, uma eternidade frágil, a suprema superação do descontrole...tudo isso é muito maior e eu vou diminuindo
Bem minúscula tento alcançar os degraus mais altos da escada mas estou sempre caindo
Pra longe, sempre o desgoverno, o desencontro, o erro
Dizem que o erro é a chave da criação
Não sei quanto a chaves, enganos, descobertas
Sei que tudo se cria a partir do contrário das ideias mais óbvias
Porque, no fim, o universo é criativo e improvável, indomável certeza do engano

Às vezes, de relance, me olho e resgato algo de familiar - já estive aqui.


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