quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Auto-criptografias

No surdo jogo da vida eu me aprofundo
Buscando tocar a superfície da matéria-espaço-sonho
Eu sonho acordada e vivo dormindo
Talvez isso queira dizer estar e não estar
Pois já estou aqui e lá, sempre
Mas não me sinto presa
Me sinto diretamente absorvida pelo infinito
Dele sou parte e observante
Quero jogar todas as fases
Conhecer todos os lugares à medida em que os crio
Eles só existem porque eu olho
No mais, os outros têm as suas experiências
E cada um é seu próprio ponto de vista
De onde esse jogo é controlado ou não
Nem importa
Me importa assumir o vazio e lidar com a neura
Me importa viver e olhar os outros, vivendo
Quando eu olho eles existem e são eu
Já não têm diferença
E ainda confio, uma estranha dura confiança
De onde se abrem caminhos, trilhas
E não controlo mais a perda, o ganho
Que de mim saem todos os fios
Me sinto só
Me sinto doce
Me sinto nó
Uma estranha estranha confiança
Será que virei fé?
Será que virei pó?
Sou peso, ainda, e mais ainda
Teia onde passeia o dia
Um dia que é tão curto
Pra uma noite tão infinita.

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